Português BR / B2
O macaco e o gato
Simão, o macaco, e Bichano, o gato, viviam sob o mesmo teto e não davam sossego à casa. Um roubava coisas, remexia as gavetas, escondia pequenas tesouras e atormentava o papagaio. O outro arranhava os tapetes, desfiava as almofadas e bebia, às escondidas, o leite das crianças.
Embora fossem amigos e parceiros de bagunça, Simão sabia conduzir as situações de maneira que a maior vantagem acabasse sempre nas mãos dele. O episódio das castanhas foi um bom exemplo.
A cozinheira havia colocado uma dúzia de castanhas sobre as brasas e saído para a horta, onde colheria temperos. Ao verem a cozinha vazia, os dois se aproximaram devagar, trocando piscadelas.
— Amigo Bichano, você tem uma pata habilidosa, perfeita para tirar castanhas do fogo. Vamos, ponha essa pata para trabalhar!
O gato não precisou de mais incentivo. Começou a bater de leve nas castanhas para puxá-las para fora das cinzas, enquanto o macaco orientava o serviço.
— Pronto, já saiu uma! Agora aquela ali... Isso! Depois a maior... E aquela da esquerda, que abriu!
As castanhas saíam pela pata do gato e desapareciam na boca do macaco, que as comia com gosto.
A cozinheira surgiu de repente, furiosa e ameaçadora, com uma vara na mão. Os dois escaparam aos pulos e só pararam quando alcançaram a segurança do telhado.
— Foi uma bela brincadeira! — comentou Simão, esfregando as mãos.
Bichano soltou um suspiro. Para Simão, que tinha comido tudo, a brincadeira fora excelente. Para ele, porém, fora péssima: havia corrido perigo, provocado a raiva da cozinheira e continuava sem saber sequer o gosto de uma castanha assada. Além disso, ainda esperava que ela o castigasse a pauladas, mais cedo ou mais tarde.
O consolo oferecido pelo macaco não lhe devolveu castanha alguma:
— Não se aborreça. A vida é assim mesmo. O bom pedaço não vai para quem o prepara, mas para quem o come.
English summary · includes the ending
Simão the monkey and Bichano the cat live in the same house and cause plenty of trouble. Although they work together, Simão usually finds a way to take the best share. One day, the cook leaves twelve chestnuts roasting while she collects herbs in the garden. The monkey praises the cat’s skill and asks him to pull the chestnuts from the fire.
Bichano does the work while Simão gives instructions and eats every chestnut. When the angry cook returns with a stick, both animals escape to the roof. Simão calls their adventure a success.
The cat disagrees. He has taken the risks, made the cook angry and eaten nothing. He also expects her to punish him later. The monkey offers a selfish answer: in life, the best food goes to the person who eats it, rather than the person who prepares it.
Adapted for Lejrbål from the credited source.
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